• José Alsanne

100 novos pontos em um mapa, com projetos ou ações artístico-culturais, com vídeos. Esse foi o desaf


Sempre gostei de mapas. Sendo da última geração analógica, minha infância foi permeada por brincadeiras com atlas & ‘guia-rex’ para saber as capitais dos países ou onde ficava determinada rua. Falar de mapa é falar de nomadismo, trajeto, percurso, rolezinho. É falar do flâneur, enquanto observador da vida. É falar de andança, de contemplação, de arriscar, percorrer, ir além. “Dentro das complexidades fractais da geografia atual, o mapa pode detectar apenas malhas dimensionais. Imensidões embutidas e escondidas escapam da fita métrica. O mapa não é exato, o mapa não pode ser exato”. (Hakim Bey)

Um mapa traçado por uma pessoa, será afetivo e sentimental, arraigado de seus signos e sua trajetória própria. Seus próprios passos.

Enquanto mulher, branca, moradora da baixada fluminense & amante da contra cultura e cultura underground, esses traços estarão impressos nessa cartografia, trazendo inclusive mensagens na garrafa, a cerca de mim, nesse papel de ‘flaneur-cartógrafa-caminhante’, ao apresentar nesse percurso, através desses pontos mapeados, lugares onde circulo ou circulei fisicamente, ou no meu imaginário.

Com muita consciência que o caminho se faz ao caminhar, apresento esse mapeamento, buscando compreensão dos meus critérios para sua construção nas impressões de Suely Rolnik, em ‘Cartografias Sentimentais’: “O que lhe interessa [ao cartógrafo] nas situações com as quais lida é o quanto a vida está encontrando canais de efetuação. Pode-se até dizer que seu princípio é um antipricípio: um princípio que o obriga a estar sempre mudando de princípios. É que tanto seu critério quanto seu princípio são vitais e não morais. [...] Ele só tem uma: é uma espécie de “regra de ouro”. Ela dá elasticidade a seu critério e a seu princípio: o cartógrafo sabe que é sempre em nome da vida, e de sua defesa, que se inventam estratégias, por mais estapafúrdias. Ele nunca esquece que há um limite do quanto se suporta, a cada momento, a intimidade com o finito ilimitado, base de seu critério: um limite de tolerância para a desorientação e a reorientação dos afetos, um “limiar de desterritorialização”. Ele sempre avalia o quanto as defesas que estão sendo usadas servem ou não para proteger a vida. Poderíamos chamar esse seu instrumento de avaliação de “limiar de desencantamento possível” [...] A regra do cartógrafo então é muito simples: é só nunca esquecer de considerar esse “limiar”. o cartógrafo, em nome da vida, pode e deve ser absolutamente impiedoso.”

Diante de tudo isso, acreditando que o mapa não é o território, convido-os ao passeio por esse espaços, seja através dos vídeos, seja visitando esses pontos apontados, que foram atenciosamente pesquisados. Fica ainda o convite para que faça você mesmo seu próprio mapa, exercitando o olhar do que há de beleza & arte na sua trajetória.​

*Bia Pimenta é produtora cultural, moradora de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e foi a responsável pela curadoria de 100 novos pontos de produtores e ações ocorridas na metrópole do Rio, a convite do Canal Plá.

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