• José Alsanne

Aula de feminismo e militância com o Bloco Mulheres Rodadas na Faculdade Pinheiro Guimarães

Atualizado: 2 de Set de 2019


Jornalista e fundadora do bloco de carnaval, criado em 2014, Renata Rodrigues conversou com alunos da instituição de ensino, na zona sul do Rio

Na sexta-feira (13/05), os alunos do curso de “Jornalismo Social e Mídia Livre”, da Faculdade Pinheiro Guimarães, no bairro do Catete, receberam e conversaram com a jornalista Renata Rodrigues, fundadora do bloco carnavalesco e coletivo Mulheres Rodas. Ela contou sobre a criação do grupo, a repercussão na mídia nacional e internacional, o machismo e outros temas.

“O Mulheres Rodadas nasceu como forma de protesto a uma imagem machista que teve um grande compartilhamento nas redes sociais, que dizia ‘não mereço mulher rodada’”, lembra Renata. De acordo com ela, esse é um pensamento histórico no Brasil, que desclassifica a mulher pela sua experiência sexual. “Muitas mulheres se sentem mal após uma noite de sexo casual. O livro ‘Sexo’, da antropóloga Mirian Goldenberg, relata as angústias de uma mulher após uma situação como esta. É tão sério, que a obra é baseada em pesquisas feitas em várias décadas, com mulheres de todas as idades”, destaca.

Desde dezembro de 2014, o Mulheres Rodadas questiona o ideal machista e patriarcal e “o que é ser uma mulher rodada? Que conceito é esse?”, bem como reforçar a garantia e a ampliação de direitos para as mulheres. “Nós criamos um evento para reunir apenas pessoas próximas. Três dias depois já eram mais de 3 mil confirmados, chegou a 15 mil. Não teve jeito, tivemos que sair com o bloco”, comenta a jornalista.

A partir de fevereiro de 2015, data da primeira saída do bloco, a iniciativa ganhou espaço e repercussão imediata nos grandes veículos de comunicação impressa, eletrônica e televisiva do Brasil e de países como Bulgária, Itália, México, Estados Unidos, Inglaterra, Espanha e outros.

Hoje, o grande objetivo do bloco é desconstruir a ideia de objetificação da mulher, reforçada ainda mais no período do carnaval. “A mulher está no centro dos olhares, mas como objeto. O bloco propõe a inversão da inversão, na qual somos sujeitos”.

Para Renata Rodrigues, a maior conquista da ação foi atingir meninas que ouviram falar sobre o feminismo pela primeira vez através bloco. “É gratificante saber que tivemos uma modesta contribuição na luta contra o machismo, que criamos um espaço diferenciado de luta e de fala, levando as pautas para a rua, com humor”, opina. Na definição de uma participante: “o Mulheres Rodadas é a experiência mais feliz de militância dos últimos tempos”.

Pela grande divulgação e relevância, o bloco construiu diálogos e parcerias, em diferentes níveis, com a ONU Mulheres, o site Catraca Livre, a ONG Viva Rio, o Núcleo de Defesa dos Direitos da Mulher Vítima de Violência da Defensoria Pública do Rio de Janeiro (Nudem) e a revista feminista AzMina. Parcerias com lideranças e figuras conhecidas, como Marcia Tiburi, Veronica Tostes e Flavia Oliveira, também possibilitaram a ampliação das atividades do bloco, com rodas de conversa. “Nosso próximo objetivo é formar uma oficina que uma música e conceitos feministas. Inscrevemos esse projeto no Fundo da ONU e estamos na torcida”, conclui a jornalista Renata Rodrigues.

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